<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424</id><updated>2011-04-21T12:08:01.820-07:00</updated><title type='text'>Oficina Literária 1/2009</title><subtitle type='html'>Oficina Literária é uma disciplina do TEL ministrada pela professora Elizabeth Hazin</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-4505735627620497852</id><published>2009-04-24T20:16:00.001-07:00</published><updated>2009-04-24T20:16:56.125-07:00</updated><title type='text'>Sonho da Laís</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Apesar  de ansiosa, o sono vinha sem delongas. Com os olhos semicerrados, lutava  para permanecer em vigília. Queria estar desperta quando o navio ancorasse  no Brasil! Meu corpo ia aos poucos pedindo o descanso e contra minha  vontade, eu já estava completamente sonolenta. O barulho da água batendo  na embarcação era a minha canção de ninar. Aos poucos, meus pensamentos  se condensaram como o vapor de água que saia da chaleira quando faziam  chá de lakka em Helsinque. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;     &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;  Uma porta de madeira pintada em branco se abriu vagarosamente. De dentro  emanava uma luz forte, um clarão amarelado que tornava impossível  distinguir o que havia dentro do cômodo. Como o mar no Antigo Testamento  que abriu caminho para Moisés e seu povo passarem, a luz se dispersou  e deixou uma reta. Por esse caminho, uma mulher, flutuando, veio em  direção à porta branca. Vestia uma túnica grega decorada com uma  larga variedade de cores: amarelo, violeta, vermelho, roxo e dourado.  A mulher era alva, seu nariz, longo e pontudo – algo que certamente  afirmava expressividade à sua figura - e seus cachos escuros eram tais  quais espirais que se entrelaçavam e pareciam compor naturalmente um  nobre penteado. Seu semblante lembrava aconchego: o olhar maternal era  doce e calmante, os finos lábios desenhavam um sorriso contido que  pareciam convidar quem quer que estivesse à sua frente para o seu colo  e até mesmo a inclinação do seu rosto assemelhava-se a leite quente  antes de dormir. Os braços da tal mulher estavam abertos e uma luz  estranha emanava do seu corpo da mesma forma que eu sempre imaginei  que emanasse da forma física de um santo ou de qualquer outra divindade  cristã. Era como se essa luz fosse uma materialização de bondade  e eternidade. Uma mulher diferente, mais nova, se jogava nos braços  da primeira e a mesma claridade rodeava o corpo da outra. Que estranho!  A mais nova parecia ser...eu. Eu? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;     &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Acordei  assustada e, ao digerir o sonho estranho que me fez despertar, em pouco  tempo me dei conta de que não só era eu a mulher mais nova, mas também  a outra criatura parecia ter o rosto que eu sempre imaginei que fosse  da minha mãe. Que engraçado... estava tão ansiosa para minha chegada  aos trópicos e, assim, enfim conhecer minha mãe, que até mesmo os  sonhos esse meu estado impaciente interrompia.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-4505735627620497852?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/4505735627620497852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/sonho-da-lais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/4505735627620497852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/4505735627620497852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/sonho-da-lais.html' title='Sonho da Laís'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-622113659082438025</id><published>2009-04-24T20:14:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T20:15:41.005-07:00</updated><title type='text'>Sonho da Ludmilla</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;Todas as luzes  do mundo, apagadas. Só a luzinha que emana do corpo de cada uma menina,  fios trançados no ar saindo de dentro daqueles sonos, ilumina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;O teto descolado  das paredes começa a subir. Não descola um lustre de vidro que sobe  também, agora sem brilho porque a luz apagada. Meus olhos no lustre,  as paredes sem teto do quarto embaixo e a cama. Alguém dormindo, diminuindo  diminuindo. Embaixo do cômodo a casa e a rua, menores, ruídos de paredes  ruindo, duas ainda em pé flutuam no espaço escuro e cinza. Afastam.  Da superfície, tudo começa a soltar-se em níveis, lentos, subindo;  ruem alicerces e raízes de todos os chãos. Na cama o corpo ou a sombra  do corpo. Vejo do alto, vejo a frente e as costas de quem dorme irreconhecível,  e diminui mais, mais rápido, menor, tão veloz vira um ponto luminoso,  desvia dos olhares de cada parede voando, vai. Tudo escurece.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;Dormem profundas.  Um tenso movimento aproxima seus fios, hesitantes ainda em convergir  no ponto. Respiram pesadas, como faltasse o ar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;Uma sala muito  branca, muito branca, não sei se enorme. Se são paredes, lençóis  ou gigantes folhas de papel, não sei, sua brancura em volta engole  sofás lustres e mesas, todos os objetos,  sem formas, seus volumes  perdidos, engolidos no branco. Um balde de tinta alcança-me as mãos,  vem um pincel, dispara a ação e uma mancha. O risco rasgando o branco  escorre a sangue. Há espaços de segundos e tenho um balde amarelo,  comigo o pincel faz novo risco. Não vejo o lugar das tintas, não intuo  a que vêm ou o onde em que desaparecem. Intervalos mais rápidos, mais  escuros, envolvem a tudo em sombras, cinzas, cores de escuro, de novo  o branco e outro balde de tinta nas mãos. Abandonam-me o pincel e os  traços. Joga o balde a tinta na parede, eu segurando o balde, o conteúdo  verde escuro, seguem gradações de verde e seus barulhos lançados  no quadrado. Outro universo, pairando, abriga vozes e rostos translúcidos,  ganha volume uma música. Vêm os azuis, outros sons. Tilintam esparramadas  cores, espessas cordas, dedilhados os traços a quantas mãos?, acordes  pintados, pintando, não é a formação de cores a intenção última  dessas tintas. O contato ritmado, cadente, cada tinta um som. As manchas  ressoam, eu segurando os baldes, quem faz a música? Vem outro vermelho,  passa por mim e atira no canto concentrado de amarelos e laranjas. O  estrondo maior. Tudo: silêncio cinza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;Afundam, imersas  nos sonos. O espaço escuro é do tamanho da vida. Tudo que já se viu  ou tocou está lá, no dentro do sonho, tudo e as pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;... não encontro  portas fechando a passagem, erro as entradas e saídas como se não  fosse minha a casa. O corredor anda em voltas, dobras, o corredor infinito.  Há um retrato familiar de alguém que nunca vi e que me olha, sabendo-me.  O corredor avança seu traço, trazendo outros retratos e seus nomes,  tão habituados ao meu chamado, acompanham rostos estranhos. Evoco a  foto mais próxima e um retrato trocado, longe, responde. Nomes desprendidos  de pessoas foram juntar-se a outras, nomes perdidos de donos, soltos  das faces, subtraídos das ações. Nenhuma voz habita a conversa de  lá, ninguém toca a música vinda das paredes ou de cima. Os passos  que alguém deixou continuam, sozinhos, seu curso. Embaralhado no corredor  o caminho, o caminho indo, embaralhando-me, eu a embaralhar-me-ando  mais. Cada passo traz uma moldura preenchida, quadros de tinta fresca  escorrendo gritos harmoniosos. Meus passos ecoam os passos de alguém,  atrás. Surgem espelhos e janelas em outras paredes, surgem e não iluminam  o ambiente opaco. Eu, e tudo, em cores de sombra. O caminho é apressado  pela presença atrás, passa sem ver os reflexos nos espelhos ou que  vistas das janelas. Corro, o ar pesado e escasso. Respiram quadros paredes  desconhecido e caminho, respiram o ar não renovado que diminui e pesa.  Falta o ar da corrida, falta ar, corro, o ar. Sem ar, (). Ando. O caminho  me arrasta até parar em frente a outra parede, seu espelho e janela.  Ainda sinto o corpo atrás de mim, à espreita, não consigo mover o  caminho e a parede escura, lenta, se aproxima. Da janela aberta, o mundo  nos ares: ruas, construções, árvores, arquipélagos, animais florestas  pensamentos elevados, desviando de nuvens. O mundo suspenso. Vira, mirando-me,  o espelho, mas não mostra meu rosto, rosto nenhum de gente. Reflete  o incomum corpo que me segue, me olha sem olhos e sem pernas vem vindo,  aproximando. Nada vejo e é uma visão, sim, porque vejo, não sei dizer,  mas vejo, e sei, no escuro. No escuro, há um limiar. Aquela presença  é a consciência saltada de seu corpo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;Os fios de dentro  dos sonhos saem, aceleram, unem entre as sombras e desviam voando, vão.  Os fios pra dentro do sonho mergulham, abrem um buraco e o espaço enorme  agora desfeito em denso líquido gira, escoa veloz e verde segue girando,  ressoa ecos da música, escoa em círculos, regira no escuro, vai. Despertam  de um salto as três meninas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-622113659082438025?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/622113659082438025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/sonho-da-ludmilla.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/622113659082438025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/622113659082438025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/sonho-da-ludmilla.html' title='Sonho da Ludmilla'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-7993795602929979903</id><published>2009-04-12T18:14:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T18:15:12.288-07:00</updated><title type='text'>Sonho - Manuela</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;O último sonho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;O mar estava quente. Eu estava, como  sempre, mergulhada bem longe da praia. Estava no exato local onde estive  com meu pai pela última vez. Mas, dessa vez, podia sentir até o cheiro  da água salgada. Tudo parecia muito real. Tentei tocar as rochas. Pude  senti-las e isto me assustou. O dia estava indo embora e o sol poente,  visto do fundo do mar era, agora, uma mancha alaranjada embaçada, que  oscilava e desparecia aos poucos. Eu tinha pressa, ele estava afundando.  Meu pai descia e não respirava mais, eu sabia, mas eu precisava alcançá-lo.  As águas-vivas estavam lá, seguravam-no como se freiassem a sua queda.  Havia o brilho ao redor dele e emanava delas. Era uma luz insuportavelmente  forte, mas sem ela não seria possível enxergar nada àquela hora.  Aquele homem caía com os olhos fechados e as roupas que nunca foram  trocadas. Toda aquela cena, com apenas uma ou outra mudança, se repetia  a cada noite em todos os meus sonhos. Mas agora estava diferente. Era  algo que não parecia ser meramente minha imaginação, mas também  não podia fazer parte da realidade. Meu pai estava morto, nada mudaria  isso. Por que então eu estava sempre tantando salvá-lo? Por que era  tão doloroso vê-lo afundar cada vez mais rápido e ficar cada vez  mais distante do meu abraço? Estava sempre ali, com olhos fechados,  com a mesma blusa azul e uma calça velha e rasgada, dobrada até os  joelhos. Seu rosto permanecia o mesmo. Mas como? Por que não envelhecia?  Já fazia mais de 15 anos! Se era tudo uma mentira e tantos detalhes  a entregavam, se já não fazia sentido eu mergulhar e me afundar em  busca de um amor paterno que não existia &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;color:#4f81bd;"&gt;senão&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt; em lembranças, por que eu insistia em salvá-lo?  Eu chorava desesperadamente, confusa, desconsolada. Estava perdendo-o  de novo. Até quando aquilo se repetiria? A perda é algo com o qual  não se acostuma. Você perde uma pessoa, mas quando perde uma outra,  sente a mesma dor. Não existe um aprendizado ou algo que anestesie  o sofrimento. Perder o mesmo ente querido várias vezes era o pior castigo  que eu poderia receber. Só que havia algo diferente! O mar quente era  tocável, não era mais leve como o ar e estava quente, aquela sensação  térmica era incrível! Olhei bem para meu pai e decidi ser a última  vez que sonharia com ele. Eu jamais quis tirá-lo de minhas lembranças,  mas percebi o quanto elas me doíam da forma como eu as memorizava.  Olhei fixamente para seu rosto, para lembrá-lo, pela última vez.   Foi quando aquele cadáver abriu os olhos para mim e sorriu. Definitivamente  não era um sonho como os outros:  era o sonho dos meus sonhos.  Apenas tentei ficar onde estava, olhando pra ele assustada, chorando,  rindo, sentindo saudades. As águas-vivas o empurravam de volta. Não  sei dizer se eu afundava ou se ele vinha em minha direção, mas nos  aproximávamos cada vez mais. Seu sorriso era o mesmo do dia em que  me ensinou a nadar, o mesmo que aparecia em seu rosto quando me comparava  com as criaturas marinhas. Era aquele que eu procurei a vida inteira  e cuja lembrança me confortou em cada momento difícil pelo qual passei.  Quando o homem ficou finalmente à minha frente, me abraçou. Me beijou  a testa e pude ler em seus lábios, que não emitiam som algum: “Obrigado.  Eu te amo”. E afundou novamente. Não fui atrás, fiquei observando-o.  Ele estava feliz e as luzes ao seu redor me cegavam. As águas-vivas  estavam eufóricas, como se comemorassem. A luz ficou mais forte e não  pude mais vê-lo. Ela se apagou, de repente, e ele já não estava mais  lá. Quando nadei de volta para a margem, estava aliviada. A culpa que  me perseguiu a vida inteira havia desaparecido. Pela primeira vez havia  encontrado a felicidade. Não alegria, que é momentânea. Mas a felicidade  plena, a ausência de um desconforto que me matava. Via a minha mãe,  meus irmãos pequenos rindo e me chamando. Fui em direção a eles.  Poderíamos jantar juntos, sem a dor ao olhar a cadeira vazia onde se  sentava meu pai. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;color:#4f81bd;"&gt;Acordei,  então, com a sensação inédita de que, definitivamente, estava feliz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-7993795602929979903?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/7993795602929979903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/sonho-manuela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/7993795602929979903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/7993795602929979903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/sonho-manuela.html' title='Sonho - Manuela'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-2084844703623036625</id><published>2009-04-12T18:12:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T18:13:11.657-07:00</updated><title type='text'>Exercício do diálogo - Manuela</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;O diálogo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;-Falei com ele, cara. Ele já sabia  que eu gostava dele porque a Alessandra contou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;-E o que ele disse?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;- Que eu era muito nova, mas que eu  era como uma irmãzinha pra ele. Eu nunca chorei tanto, cara. Na frente  dele mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Não conseguia dormir.  Nos últimos  dias, acordava todas as manhãs às 5. A ansiedade me matava. Eu só  adormecia depois de me lembrar de cada momento do dia que havia passado  com meu técnico  e acordava pensando no instante em que o veria.  Minha paixão se tornara doentia. Cada olhar, cada carinho que me fazia,  cada cuidado e preocupação que aquele homem tinha por mim era como  gotas de veneno que eu tomava. Eu me embriagava com todo aquele sentimento.  Era como se não vivesse nunca, me perguntavam como havia sido meu dia  e eu simplesmente não me lembrava. As únicas lembranças que tinha  eram dos treinos, do jeito que ele me tocava pra corrigir algum movimento  errado enquanto eu me alongava, da sua voz grossa e ao mesmo tempo tão  doce ao se dirigir a mim e do modo como me olhava, cheio de ternura.  Os dias se passavam e uma vontade de me declarar e de pagar pra ver   oq ue aconteceria crescia em progressão geométrica. Essa vontade de  me jogar, de me render à aventura e ceder ao risco de levar um fora  (que me parecia cada vez mais improvável) dobrava a cada vez que ele  me tratava daquele modo terno que só um amante trata a mulher amada.  Foi em uma sexta-feira que decidi abrir o jogo. Ao final do treino,  logo após as outras 4 garotas irem embora, resolvi agir. Chamei-o pra  conversar e contei que me sentia diferente. Abusei de metáforas e de  enrolações. Dizia-lhe que estava sentindo algo que jamais sentira  por alguém e que era como se na sua ausência me faltasse o ar, ou  pior: o mar. Foi no auge do meu discurso que descobri o que estava se  passando em sua mente. Ele me interrompeu dizendo que sentia o mesmo  por mim. Mas para o fim de minha alegria, completou dizendo que eu era  a filha que ele nunca teve. Quando se deu conta de que havia somente  15 anos de diferença entre nós, corrigiu:  “Na verdade, você  é como uma irmã mais nova por quem tenho muito carinho e vontade de  cuidar”.  Eu quis morrer. Quis matá-lo. Quis matá-lo e morrer  em seguida, pois  sabia que não viveria sem ele. Apesar disso,  fingi gostar do que havia ouvido. Abracei-o e me retirei. Chegando ao  meu quarto, chorei até adormecer sem me dar conta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-2084844703623036625?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/2084844703623036625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/exercicio-do-dialogo-manuela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/2084844703623036625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/2084844703623036625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/exercicio-do-dialogo-manuela.html' title='Exercício do diálogo - Manuela'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-3956151938162223028</id><published>2009-04-12T18:11:00.001-07:00</published><updated>2009-04-12T18:11:48.571-07:00</updated><title type='text'>Exercício do diálogo - Ludmilla</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;Naquele dia, após  o passeio por ruas e calçadas, não houve quem conseguisse falar. Das  conversas entrecortadas que ouviram, passantes, aos barulhos do mundo  sem fala, de tudo, formou-se um emaranhado de sons palavras sem distinção  entre o que cada uma havia escutado: vozes zigue-zagues vezes três,  trêêzz, &lt;i&gt;la mia ombra si spaventò&lt;/i&gt;,&lt;i&gt;, &lt;/i&gt; ventava outra língua, &lt;i&gt;della luna&lt;/i&gt;, o sol escaldava palavras em  torno das meninas palavras cruzadas encruzilhada audição seis orelhas  para cada uma cabeça, &lt;i&gt;e si rannicchio tra i piedi&lt;/i&gt;, passava o  caminho, homens chiamavam &lt;i&gt;“Teresa!”&lt;/i&gt;, começava o movimento  confuso, o funcionamento somado feito fossem uma, avançavam e passando  pegavam cada som do caminho e o caminho para trás ficava em silêncio.  Tenho saudade do meu pai, tenho saudade de tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;(O trecho em italiano  quer dizer: “&lt;i&gt;a minha sombra se espantou com a lua e se recolheu  sob os meus pés”, &lt;/i&gt;e foi tirado do livro Prima Che tu dica &lt;pronto&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt; de Italo Calvino)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-3956151938162223028?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/3956151938162223028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/exercicio-do-dialogo-ludmilla.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/3956151938162223028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/3956151938162223028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/exercicio-do-dialogo-ludmilla.html' title='Exercício do diálogo - Ludmilla'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-4791760387774624743</id><published>2009-04-12T18:10:00.001-07:00</published><updated>2009-04-12T18:10:36.492-07:00</updated><title type='text'>Texto de Ludmilla</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;     &lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;Impossível  afirmar se é imprecisa ou fora de alcance humano, essa visão. Como  se capturada através de um aparelho que, tamanho o impacto da imagem  avistada, passasse a atuar desgovernado: o foco oscilante entre os vértices,  as faces e a figura opaca – triângulo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;     &lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;Há  uma, duas, três. Uma, outra e a terceira, média, soma de metades opostas.  Seriam trigêmeas ou três conhecidas de mesma idade? Meninas, cuja  experiência somada-dividida contribuiu para talhar a face de cada uma  em moldes distantes da aparência comum aos seres de dez anos de vida.  A marcação sutil em seu aspecto físico não é, contudo, o traço  denunciador dessa formação tríplice: antes constitui seu véu ou  disfarce. Não é corriqueiro notar nas meninas, isoladas, qualquer  aspecto mais estranho que um fio de cabelo reluzente, branco, as vozes  acrescidas de um grave incomum, o caminhar compassado de quem já não  percorre o mundo embrulhado em novidade. Não são desbravadores os  seus olhares e o ritmo das respirações ignora o que quer que se assemelhe  aos estados de euforia e curiosidade. São meninas, e é alguma coisa  plantada justo no centro de suas naturezas infantis o que mais parece  atrair o observador atento que tenha, por acaso ou por ventura, deparado  com as densas nuvens daqueles olhos. Nebulosas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;     &lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;Suficientemente  próximas, à luz e inclinação de olhar determinados, projetam algo  mais do que a sombra alongada no chão. Cresce outro corpo. Diante do  contemplador, o somatório improvável, uma mulher ou formação estelar  feita de escuros e luzes. Os olhos desse que contempla, perturbados  desafiados, não conseguem distinguir a imagem, não se atêm a nenhum  dos pontos-meninas de que é formada, não fixam em nada e estão atordoados.  Oscila inconstante o foco. Embaçam as lentes do aparelho de visão.  Nos ouvidos, embaçados, o eco de uma explosão distante.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;     &lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style="font-family:Gill Sans MT;font-size:100%;"&gt;Ainda  não é chegado o momento em que se desvenda de onde vêm as meninas,  para onde seguirão, se juntas, separadas, se a idade avançada triplicada  vai demarcar-lhes o fim igual, ou se é a desvinculação de uma, alguma,  que vai desintegrar esse equilíbrio instável. Não se sabe do laço  imune a nomeações de parentesco ou amizade entre as meninas, se era  seu pai ou tutor o artesão de molduras; com quem aprenderam a dança,  não se sabe. Será se, em três, são vértices unidos em fio? É um  eixo o que as une, um centro - hélices? Que forças? Movimento circular  de ponteiros marcando segundos horas minutos é o que são? Têm, ao  lado dos anos, outra velocidade a medir seu tempo? Giram, constantes,  as interrogações. Não avistam resposta e expõem, mais forte a energia  do giro, sua pergunta maior: que intenções atravessam este começo,  o começo do evento? Escurece o céu e num espaço mais escuro ainda,  no espaço enorme, universo, o eco é mais forte e próximo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-4791760387774624743?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/4791760387774624743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/texto-de-ludmilla.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/4791760387774624743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/4791760387774624743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/04/texto-de-ludmilla.html' title='Texto de Ludmilla'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-6909601933299081407</id><published>2009-03-31T18:20:00.001-07:00</published><updated>2009-03-31T18:20:50.825-07:00</updated><title type='text'>Texto do André Luiz (reescrito)</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;&lt;u&gt;O Destino  de um Estradivárius&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Sempre  cri na possibilidade de se evadir de um destino adverso às nossas vontades,  um destino do qual gostaríamos de fugir de qualquer maneira. Sim, para  os humanos isto é perfeitamente factível, pois, como disse meu nobre  conterrâneo, Maquiavel, somente a virtude mostra-se eficaz contra um  possível infortúnio. De fato, invejo os homens, que, ao contrário  de mim, tem o mundo à mercê de suas vontades, bastando um espírito  sagaz e uma tenacidade exemplar para atingirem seus fins. No meu caso,  para valer-me de meus dons naturais, aliás, um dos melhores que há  no mundo da música, dependo das mãos de um exímio violinista, assim  atingindo meu potencial completo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Grande&lt;i&gt;  luthier&lt;/i&gt; que me fez, o senhor Stradivari. Minha singularidade advém  não somente da qualidade dos sons que produzo, mas pelo próprio fato  de que sou um dos poucos de minha linhagem ainda vivos e apesar de minha  idade avançada, ainda não cheguei a cumprir meu papel óbvio e fundamental:  o de extasiar platéias e ganhar em troca ovações retumbantes para  mim e minha “metade”. Minha vontade se equipara a dos humanos, mas  eis que sou refém da sorte, assim é a vida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;O  seguinte fato mudou minha percepção de que os humanos estão acima  das rodas da fortuna. Na oficina onde fico, chegaram dois músicos,  ambos interessados em possuir-me. Meu preço, é claro, era proibitivo,  sendo que só um dos músicos gozava de luxo de poder compra-me (tocava  numa famosa filarmônica em Turim), mas, em contra partida, carecia  da destreza que eu achava digna para mim. O outro padecia do caso oposto:  tirava de mim belos acordes, arpegios, improvisos, mas faltava-lhe recursos  para a compra. Eu me encontrava no meio do dilema. Meu ego exigia que  me fossem pagos não menos que 500 mil euros, mas, ao mesmo tempo, que  seria de mim nas mãos de um músico indigno ou até mesmo nas mãos  de um colecionador, que me exibiria como um reles troféu? Optei pela  segunda hipótese, finalmente. Pena que os fados, contrariaram meu desejo  e o do segundo músico, é claro. O som das moedas de ouro (o primeiro  músico pagou desta forma, creio que havia tantas quantas para encher  um baú) foi mais belo do que o som que o segundo músico havia tirado  de mim. O homem esbravejou, na tentativa de demover o vendedor de me  entregar a mãos indignas. Dizia que era o único apto a tirar o máximo  de minhas qualidades. Tocava para corroborar suas afirmações. Tudo  em vão. Saiu desconsolado em contraste com o primeiro músico, que  se deliciava com a desgraça do companheiro de profissão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Desde  então, perdi a crença de que a vontade por si só basta para transformar  sonhos em algo concreto. Nem mesmo a maior destreza pode se dar ao luxo  de vir desacompanhada de um pouco de sorte. Talvez a suposição de  que quem é mais abastado desfruta de uma sorte maior não seja no todo  incorreta. Os tempos mudaram desde Maquiavel. Há forças muito maiores  do que a simples virtude e vontade e disso não podemos correr, nem  mesmo os homens, quanto menos eu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-6909601933299081407?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/6909601933299081407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-do-andre-luiz-reescrito.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/6909601933299081407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/6909601933299081407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-do-andre-luiz-reescrito.html' title='Texto do André Luiz (reescrito)'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-5525505720958958085</id><published>2009-03-25T11:27:00.000-07:00</published><updated>2009-03-25T11:28:14.786-07:00</updated><title type='text'>Texto da Juliana</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Cambria;font-size:100%;"&gt;Emile&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Cambria;font-size:100%;"&gt;Já na entrada pode-se  sentir o cheiro do cupim por entre madeiras molhadas de um bolor sem  cor e contínuo. O numero 53 na porta é de um enferrujado cor de cobre,  quase lembra a terra seca da casa de mamãe. A tentativa inoportuna  de viver da Samambaia traga o último suspiro de aurora do corredor  estreito e denuncia minha suspeita de que Emile já não sai de casa  a dias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Cambria;font-size:100%;"&gt;Minha entrada é de  um silêncio misturado, não enxergo nada além de um capacho torto  que marca o sinteco gasto pelos anos. Emile está imóvel frente a um  raio fraco de sol que entra pela &lt;b&gt;janela &lt;/b&gt; – Traga-me um copo d’água minha irmã. – Consigo ver papai naquele  rosto pálido e me pergunto se Sebastian  retorce na cova em dias  como este. Emile mora com simplicidade e o bege sufoca quando respiro.  – Emile, Aurora estaria desesperada em morar aqui. – Emile nem vira  o rosto e bebendo o copo d’água levanta as sobrancelhas como num  gesto de indiferença. Dali se passavam exatos 7 anos que Aurora falecera  e a ausência de sua esposa matava meu irmão lentamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Cambria;font-size:100%;"&gt;Dei-lhe um beijo na  testa e o ajudei a levantar-se. Emile já tinha dificuldades em andar  e agravava isto a cada dia recusando-se a fazer exercícios recomendados  pelo medico, como caminhar na Pampulha ou ir á missa aos Domingos,  Emile tornara-se menos religioso e não aceitava a bondade de Deus,  era um homem velho que exalava um pretume fétido de um século passado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style="font-family:Cambria;font-size:100%;"&gt;Não me orgulho de  ser distante, nos meus 68 anos me considero ainda disposta, sobretudo  frente a meus filhos e marido que prezo por serem castos frente à essa  nostalgia indiscreta de meu irmão sobrevivente. Hoje é 2 de setembro  de 1938 e me comprometi em levar Emile para visitar sua filha Mercedes  no Rio de Janeiro. Não, não pretendo ir até lá, meus Réis deram  apenas para um assento na Panair, Emile precisa sair de casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-5525505720958958085?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/5525505720958958085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-da-juliana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/5525505720958958085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/5525505720958958085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-da-juliana.html' title='Texto da Juliana'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-2702876272615397899</id><published>2009-03-23T19:43:00.001-07:00</published><updated>2009-03-23T19:43:18.926-07:00</updated><title type='text'>Texto da Laís</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a mão inclinada em direção ao rosto, eu escuto o sermão de um homem energético. A voz imponente,&lt;br /&gt;o movimento ritmado das mãos que rege a fala furiosa e as feições tão viris estragadas pelo semblante de ódio e o olhar&lt;br /&gt;que rasga todo o resto de dignidade que eu ainda reservava no meu peito me fazem tremer de ansiedade...uma sensação&lt;br /&gt;difícil de desenhar; um sentimento nervoso que surge da segurança que tenho de nunca ter merecido o homem que agora me&lt;br /&gt;corta. Sorte existe e me foi concebida. E esse momento era esperado...não como uma mãe espera a chegada do seu fruto. A minha espera foi devagar, doída, recusada. Mas se existe Sorte também existe destino. E apesar de&lt;br /&gt;limitada, eu posso ser sensata. Posso? Apenas duas certezas passearam pela minha mente durante o desenrolar dos meses que ocorreram desde o meu encontro com a Sorte: aquele, esse Astro é a coisa mais bonita, encantadora, e enigmática que os meus olhos já registraram e eu não o mereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;                              &lt;wbr&gt;            A hora chegou.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-2702876272615397899?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/2702876272615397899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-da-lais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/2702876272615397899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/2702876272615397899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-da-lais.html' title='Texto da Laís'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-2130687957525487020</id><published>2009-03-23T19:18:00.000-07:00</published><updated>2009-03-23T19:19:02.694-07:00</updated><title type='text'>Texto da Manuela</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Nadadora&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Comecei a nadar aos seis anos de idade,  quando, depois de várias consultas a inúmeros médicos, a natação  foi a solução encontrada por meu pai, para as minhas freqüentes crises  asmáticas. Nós morávamos em uma pequena cidade praiana do estado  do Rio de Janeiro chamada Araruama, localizada a pouca mais de 110 km  da capital&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;color:#ff0000;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Meu pai era um humilde e simpático  pescador, que conquistava qualquer um com quem conversasse. Me lembro  que ele chegava sempre após o pôr-do-sol com sua canoa e a rede nas  mãos. Eu o via pela janela lá de casa, que ficava em cima de um morro,  de onde se tinha uma belíssima vista da praia, dos outros morros detrás  do oceano e do céu. Eu sempre o esperava ansiosa. Havia sempre uma  surpresa pra mim: podia ser um peixe de cores que eu jamais havia visto,  ou algo que ele fingia ter pego no fundo do oceano (embora eu soubesse  que havia pego na praia mesmo). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;De longe, os presentes que eu mais  gostava eram as águas-vivas. Eles as trazia em baldes e as colocava  na minha mão, me ensinando como pegá-las sem que me queimasse. E quando  me pegava admirando-as, dizia que eu deveria ser como elas, graciosas,  encantantes, reservadas. Deveria, principalmente, ter o seu fôlego.  Contava que, na verdade, elas eram seres terrestres, mas amantes da  água o suficiente para passarem a maior parte do seu tempo dentro da  água, indo de vez em quando para a areia respirar um pouco. Eu, pequena,  acreditava em tudo o que aquele homem, pra mim tão sábio, dizia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Naquela época, eu quase não saía  de casa devido aos meus problemas de saúde. Meu pai, porém, me trazia  o oceano todos os dias depois do pôr-do-sol. Aquilo era suficiente  pra me deixar com um desejo imenso de ir, eu mesma, atrás daqueles  objetos, daqueles tesouros e animais que eu ganhava. Ficava horas imaginando  como seria o mundo debaixo das águas verdes do mar que eu só conhecia  pela minha janela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:100%;"&gt;Um belo dia, meu pai decidiu que eu  deveria nadar. Dizia ele, seu coração lhe indicava que aquilo me curaria  da asma. Convencemos, com muita insistência, minha mãe de me deixar  ir pescar com meu pai. Ele não me permitia mentir para ela, mas essa  era uma causa muito nobre e sabia que se disséssemos a verdade, nossos  planos iriam por água abaixo. Foi então que, em seus braços, mergulhei  meu corpo pela primeira vez no mar. Me lembro claramente de cada emoção  sentida, do pulsar rápido do meu coração, da alegria, da empolgação  e da falta de ar mais feliz que eu havia tido. Perder o fôlego era  apenas mais uma entre as milhões de sensações que eu sentia. Era  incrível imaginar que eu pudesse estar junto de todos os maravilhosos  seres que meu pai me trazia. Podia tocá-los, queria vê-los, sentir  seu cheiro. Nesse momento, eu passava a ser um deles. Finalmente havia  me transformada na água-viva.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-2130687957525487020?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/2130687957525487020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-da-manuela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/2130687957525487020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/2130687957525487020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-da-manuela.html' title='Texto da Manuela'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-372377273315743609</id><published>2009-03-23T19:17:00.001-07:00</published><updated>2009-03-23T19:17:42.376-07:00</updated><title type='text'>texto da Débora</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;O  dia estava claro, o sol começava a despontar no horizonte e os primeiros  reflexos de luz batiam em meu rosto me lembrando que já era hora de  levantar. Seria apenas mais um dia comum cheio de atividades rotineiras,  acompanhadas – como sempre – por meu melhor amigo Thomas. Mal sabia  eu que, dali algumas horas, veria estampado no rosto de Thomas um desespero  mudo – de quem não sabia como reagir. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Sobre  mim? Cabem algumas explanações. Nasci e fui criado no seio de uma  típica família rica britânica, cercado por todos os mimos concedidos  a mim por minha condição social. Apesar de não ser filho único,  nunca me foi negado nada; tive acesso ao melhor ensino, a melhor educação,  aos melhores bailes, ao melhor da minha sociedade. Atrevo-me a dizer  que sempre fui o filho preferido, condição essa estabelecida talvez  pelo oportuno fato de ter nascido homem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Era  comum, em dias tão belos, que eu e Thomas saíssemos a cavalo por minha  propriedade. Nossas cavalgadas eram envoltas em risos, relatos e agradáveis  conversas. Nada nunca nos preocupava. Meu cavalo, Wind, era o mais belo  e veloz da região.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Em  meio a nossa prepotência, ignoramos o conselho dado por um dos camponeses  de não ir para certo canto da propriedade, onde um animal selvagem  fora visto na noite anterior.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Apostamos  corrida até o local e ganhei – graças as velozes patas de Wind.  Ao me virar despretensiosamente e descuidadamente para zombar de Thomas,  tudo aconteceu – como num piscar de olhos as cenas se transformaram.  Wind se assustou com a súbita aparição do animal, ergueu as patas  dianteiras e quando me dei conta já estava caído no chão. A fera  fugira com a reação do cavalo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Thomas,  já ao meu lado, indagou preocupado:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;-  O que você está sentindo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;-  Quase nada! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;.......................&lt;wbr&gt;..............................&lt;wbr&gt;..............................&lt;wbr&gt;..............................&lt;wbr&gt;..............................&lt;wbr&gt;..............................&lt;wbr&gt;..............................&lt;wbr&gt;..............................&lt;wbr&gt;..............................&lt;wbr&gt;....&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Os  risos cessaram, o silêncio predominava. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;O  dia? Continuava claro, os reflexos de luz continuavam a bater em nossos  rostos. Mas já não conseguia mais me levantar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;       &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Aos  17 anos de idade, tragicamente paralítico. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-372377273315743609?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/372377273315743609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-da-debora.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/372377273315743609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/372377273315743609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-da-debora.html' title='texto da Débora'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-2820004731057688220</id><published>2009-03-22T14:52:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T14:53:51.367-07:00</updated><title type='text'>Texto da Luciana</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A Louca&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;                               Após trinta anos de magistério, exercidos de maneira dedicada, quase apostolar, eis que eu, agora, encontro-me entre ideias distorcidas,  lembranças que vêm e vão; confinada em meu sombrio quarto, completamente  só.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;                            Os filhos se foram, cada qual com sua vida, seus sabores e dissabores;  o marido adormeceu palidamente em meus braços.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;                         E eu? Eu estou aqui, confusa. Em alguns momentos disposta, alegre, brincando  com as memórias que os bons tempos deixaram; momentos outros, triste,  sem reconhecer objetos, pessoas e nem a mim mesma.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;                       Sombras, luzes, tudo ao meu redor torna-se monstruoso,  ás vezes, ou insignificante, sempre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;                    Sonhos, visões, devaneios... Preciso sair, preciso fugir de mim, antes  que tudo isso me devore!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;                     Viajar, quem sabe? Ir para um lugar distante, desconhecido, onde talvez  eu me encontre uma nova razão de viver.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-2820004731057688220?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/2820004731057688220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/louca-apos-trinta-anos-de-magisterio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/2820004731057688220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/2820004731057688220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/louca-apos-trinta-anos-de-magisterio.html' title='Texto da Luciana'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-3178000680227497580</id><published>2009-03-22T14:50:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T14:51:28.471-07:00</updated><title type='text'>Texto da Tarci</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:180%;color:#660066;"&gt;A  Aeromoça &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#660066;"&gt;Eu  preciso organizar minhas meias em pares, meus livros por ordem alfabética,  meus discos por preferência de ritmo e enterrar meu diário morto de  ex-amores. Por isso nunca acho nem minhas chaves de casa,  quanto  mais &lt;i&gt;an excuse&lt;/i&gt; para rebater um convite nem tão voluntário assim  para substituir Katie. Doente?! Assim eu que vou acabar ficando se continuar  nessa loucura. Dias sem parar em casa, nesse vai-e-volta sem fim. Ah,  maldita gripe dos infernos! (Ou seria maldita Katie fraca dos infernos?) &lt;i&gt; I am never sick&lt;/i&gt;! Paixão é doença? Das desculpas mais velhas ela  não podia ter sido menos óbvia? Gripe?? Preciso de açúcar, do meu  café. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#660066;"&gt;Hoje &lt;i&gt; I will&lt;/i&gt; &lt;i&gt;have to&lt;/i&gt; &lt;i&gt;grab&lt;/i&gt; qualquer coisa no caminho. Saudades  da mãe, da casa que cheirava a café e de menos turbulências. Quando  foi que a vida ficou assim cronometrada? Acho que o velho sino viu-se  na mesma situação e desistiu. Não badalou irritantemente hoje. Marcando  o tempo tão sem atrasos, justo hoje ele resolve calar? Podia pelo menos  ter notificado. Simplesmente não bateu longe, religiosamente ao alcance  dos meus ouvidos, e quando me dei conta já estava pulando da cama.  Acordada pelo automático acertei a taça de vinho mais uma vez. Não  da para ficar feliz com mais essa mancha vermelha na cama. É como um  rosto olhando para mim através do espelho. Ela me encara feia, abusa  da minha boa vontade, espalhada pelo lençol. Ela grita comigo e eu  a devolvo apenas meu olhar desprezador. Devia olhar assim alguém que  já foi especial. Mães ensinam tanta coisa: “Não pegue a primeira  chuva da estação”, “não fale com estranhos”, mas elas falham  quando esquecem de ensinar a tirar mancha vermelha do lençol ou &lt;i&gt; how to forget&lt;/i&gt; um ex-amor, ou pior, a como conviver com eles &lt;i&gt;still&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#660066;"&gt;Quem  nos céus &lt;i&gt;would believe &lt;/i&gt;que esse terninho creme combina com essa  rosa murcha que uso nos cabelos todos os dias? Cabelos lisos, cara pálida,  alma ferida, e consigo meu ar fúnebre sem esforço. Perfeita descrição  da minha  vidinha &lt;i&gt;recently&lt;/i&gt;. Ah, mancha vermelha que não  sai! Ah, rosa murcha que não fixa!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-3178000680227497580?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/3178000680227497580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-da-tarci.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/3178000680227497580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/3178000680227497580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-da-tarci.html' title='Texto da Tarci'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-3912984677279794459</id><published>2009-03-21T08:16:00.001-07:00</published><updated>2009-03-21T08:16:57.553-07:00</updated><title type='text'>Texto do Pedro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;De  certo modo, a vida na torre me proporcionou a maturidade infértil de  que padecem os eremitas. Minha paralisia absoluta deu conta de, à semelhança  dos tutores das escolas sacerdotais, prover-me da faculdade da abstração.  Certamente que, no meu caso, às privações que inevitavelmente sofri  (às quais os homens chamam “virtudes”), vinha atrelada a execução  plena de minha filosofia. Posso, portanto, dizer que tudo quanto me  passou ao conhecimento virou abstração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Não  se enganem, e se pensam que com afetos acolhi tal condição, através  do mesmo instrumentário devo oferecer-lhes a oposição: o pensamento  é uma doença incurável, ou melhor, uma criança que, dentro do útero,  se desenvolve perpetuamente sem a graça ou o alívio do nascimento.  Ele nada nos soma, nem de nós se apieda. Drena nosso sangue voluptuoso  para suas veias parasitas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;No  entanto, não invejo os bêbados que se espalham pelas ruas, nem as  prostitutas, este mal que infesta as cidades, mas cujos desígnios divinos  lhes são desviados. Não invejo os camponeses de vidas simples nem  tampouco os religiosos. Invejo os moribundos e os abortados. E mais  ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-3912984677279794459?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/3912984677279794459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-do-pedro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/3912984677279794459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/3912984677279794459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-do-pedro.html' title='Texto do Pedro'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-1065757299271388584</id><published>2009-03-20T14:14:00.001-07:00</published><updated>2009-03-21T08:17:54.721-07:00</updated><title type='text'>Texto do André Luiz</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;u&gt;O Destino  de um Estradivárius&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;Sempre  cri na possibilidade de se evadir de um destino adverso às nossas vontades,  um destino do qual gostaríamos de fugir de qualquer maneira. Sim, para  os humanos isto é perfeitamente factível, pois, como disse meu nobre  conterrâneo, Maquiavel, somente a virtude mostra-se eficaz contra um  possível infortúnio. De fato, invejo os homens, que, ao contrário  de mim, tem o mundo sob à mercê de suas vontades, bastando um espírito  sagaz e uma tenacidade exemplar para atingirem seus fins. No meu caso,  para valer-me de meus dons naturais, aliás, um dos melhores que há  no mundo da música, dependo das mãos de um exímio violinista, assim  atingindo meu potencial completo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;Grande&lt;i&gt;  luthier&lt;/i&gt; que me fez, o senhor Stradivari. Minha singularidade advém  não somente da qualidade dos sons que produzo, mas pelo próprio fato  de que sou um dos poucos de minha linhagem ainda vivos e apesar de minha  idade avançada, ainda não cheguei a cumprir meu papel óbvio e fundamental:  o de extasiar platéias e ganhar em troca ovações retumbantes para  mim e minha “metade”. Minha vontade s equipara a dos humanos, mas  eis que sou refém da sorte, assim é a vida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;O  seguinte fato mudou minha percepção de que os humanos estão acima  das rodas da fortuna. Na loja onde fico, chegaram dois músicos, ambos  interessados em possuir-me. Meu preço, é claro, era proibitivo, sendo  que só um dos músicos (tocava numa famosa filarmônica em Turim),  mas, em contra partida, carecia da destreza que eu achava digna para  mim. O outro padecia do caso posto: tirava de mim belos acordos, arpegios,  improvisos, mas faltava-lhe recursos para a compra. Eu me encontrava  no meio do dilema. Meu ego exigia que me fossem pagos não menos que  500 mil euros, mas, ao mesmo tempo, que seria de mim nas mãos de um  músico indigno ou até mesmo nas mãos de um colecionador, que me exibiria  como um reles troféu? Optei pela segunda hipótese, finalmente. Pena  que os fados, contrariaram meu desejo e o do segundo músico, é claro.  O som das moedas de ouro (o primeiro músico pagou desta forma, creio  que havia tantas quantas para encher um baú) foi mais belo do que o  som que o segundo músico havia tirado de mim. O homem esbravejou, gesticulou,  na tentativa de demover o vendedor de me entregar a mãos indignas.  Dizia que era o único apto a tirar o máximo de minhas qualidades.  Tocava para corroborar suas afirmações, tudo por nada. Saiu desconsolado  em contraste com o primeiro músico, que se deliciava com a desgraça  do companheiro de profissão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:100%;"  &gt;Desde  então, perdi a crença de que a vontade por si só basta para transformar  sonhos em algo concreto. Nem mesmo a maior destreza pode se dar ao luxo  de vir desacompanhada de um pouco de sorte. Talvez a suposição de  que quem é mais abastado goza de uma sorte maior não seja no todo  incorreta. Os tempos mudaram desde Maquiavel. Há forças muito maiores  do que a simples virtude e vontade e disso não podemos correr, nem  mesmo os homens, quanto menos eu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-1065757299271388584?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/1065757299271388584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-de-andre-luiz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/1065757299271388584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/1065757299271388584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-de-andre-luiz.html' title='Texto do André Luiz'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3425271981800282424.post-6583634045461178796</id><published>2009-03-19T19:41:00.001-07:00</published><updated>2009-03-19T19:41:45.026-07:00</updated><title type='text'>Texto do Fred</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Acordei  de um sonho bom, não lembro o que sonhava, só lembro que era bom.  Meu sono era pesado, hoje ainda é _ quando eu durmo, o que já não  é tão freqüente. Naquele dia, despertei com o fechar da porta da  sala, mas o que me tirou da cama foi o soluçar de mamãe. Não, não  sabia que algo de errado acontecera. Até hoje não sei. Mamãe havia  saído do banho minutos atrás, seus cabelos negros e curtos ainda estavam  muito molhados, como os seus olhos quando me viu. Na verdade, presumo  que chorava, pois só lembro-me do cheiro do bolo recém preparado na  cozinha e do brilho da água nos fios escuros daquela que me sobrava.  Meu pai morrera. Eu tinha treze anos e mamãe uns trinta. Casaram-se  cedo. Eu nasci pouco depois. Não sei se amavam um ao outro, mas a lembrança  do cabelo de mamãe me faz crer que sim. Não tive medo de viver sem  meu pai, vivera até ali sem outra presença que não a do dinheiro  que ele enviava em envelopes parecidos com o em que mamãe recebera  a notícia. O carimbo da companhia de trem era o mesmo para todas as  cartas. As cargas eram sempre “tratadas com zelo e respeito”. O  medo me encontrou minutos depois, quando mamãe disse que eu era o último  que restava para ela. Eu tinha treze anos e uma vida dependendo de mim.  Decidi, como muitos já decidiram antes, que não morreria. Nunca mais  entrei em um trem, uma ferrovia sempre me lembrava os cabelos molhados  de mamãe. Escolhi não ter a certeza da morte grudada em trilhos; escolhi  voar.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;     &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;Meu  bem, minha noiva querida, espero que entenda que eu preciso fazer este  último vôo antes de aceitar o emprego que seu pai me ofereceu no escritório.  Vou, mas voltarei pensando em você, pois escolhi não ser como meu  pai. Eternamente seu,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;     &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;                         &lt;wbr&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;     &lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;                         &lt;wbr&gt;                                                &lt;wbr&gt;                              &lt;wbr&gt;        Vicente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3425271981800282424-6583634045461178796?l=oficinaunb2009.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/feeds/6583634045461178796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-do-fred.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/6583634045461178796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3425271981800282424/posts/default/6583634045461178796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oficinaunb2009.blogspot.com/2009/03/texto-do-fred.html' title='Texto do Fred'/><author><name>Pri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ccopF_jr7J4/SKNgq7eA38I/AAAAAAAAAI0/Zs2ujk6mpeQ/s1600-R/Casamento%2BMarina%2B101.jpg..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
